terça-feira, 6 de julho de 2010
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
Saúde, verdade, saudade
“Este é efetivamente um problema: afinal, por que a verdade? Por que nos preocupamos com a verdade, aliás, mais do que conosco? E por que somente cuidamos de nós mesmos através da preocupação com a verdade?"M. Foucault
Tanta verdade
Quânticas certezas
tântricas verdades
O amor se por inteiro nunca dói
dói a permanente falta
por vezes se esquece a dor
saúde
meios amores lembram que existe amor inteiro
saudade
tantas meias verdades
todas cheirosas, saudáveis
me lembram que existe verdade inteira
Platão brinca com ela toda
Deus diz que é coisa séria
Por falar em paradigmas, andei pensando numas certas semelhanças não tão filosóficas... só pra descontrair:

Renan Ramalho04.02.10
quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
Pintura sem título

segunda-feira, 14 de setembro de 2009
Linguagem e despropósito
Quem come poesia?
Por que melodias?
A poesia do coração cheio
Pela arte, o estômago vazio
O traço do braço vadio
O compasso dos dedos trastejantes
Destratantes de cordas e versos
A crise alimenta a poiética
A arte se é ética ou estética,
se mescla a devaneios errantes
Inconstantes métricas dilaceradas
Dissonâncias de acordes conflitantes
Se vale ou não vale...
Se a mente tanto fala e não bate
O coração tanto treme que se mantém calado
poesia é caroço, é ação
é coração em mil decibéis
razão nos compassos binários
dos traços revoltos
couraça de estética na ética dos sentimentos
por isso humano
por isso útil
Natal, 14.09.09
Renan Ramalho
quinta-feira, 30 de julho de 2009
hera-de-inverno
hera-de-inverno na parede da alma
da cor da estação
verde como a esperança
no outono, rubro apaixonado
depois cai
eu só vi cajueiro
mas vi esperança
vi paixão
cai e ralei o joelho
hera-de-inverno
cresce e toma conta
não cabe mais
escorre entre os poros
já não se esconde
são ramos
são frases
são punhais
hera-de-inverno na parede
é planta que cresce com
[apetite voraz
no formato
conforme a alma
escorre nos dedos
se mostra em versos
travessos
hera-de-inverno
era inquietude
virou poesia
Natal, 30.07.09
Renan Ramalho
segunda-feira, 6 de julho de 2009
a moradia
a moradia
amor ardia na alma
acalentador
acalenta a dor
dorme calma
amor
fina paz
a morfina da alma
Renan Ramalho
quarta-feira, 17 de junho de 2009
Tratamento Intensivo
sobre o prolongamento da vida e a morte domiciliar
Lembro de filmes em que o pai morre em uma cama quente e antiga, de entalhes trabalhados, segurando a mão de sua amada e rodeado de filhos enquanto recebe a extrema unção. Também lembro da morte de minha avó, na UTI de paredes brancas – não vi, mas assim imagino – em uma cama branca com fios por todos os lados, agulhas espetadas e uma enfermeira tentando salvá-la de seu mal, decorrente dos anos de cigarro, através de uma traqueostomia – pouparei-os de alguns detalhes que me foram revelados, embrulham o estômago, os curiosos perguntem.
Sinceramente, não tenho dúvidas que o primeiro quadro me agrada mais – ou me desagrada menos.
Hoje presentearei meus poucos leitores com um poema desagradável. Qualquer coisa leiam o poema anterior, ele é bem mais consolador e igualmente verdadeiro.
Renan Ramalho
17.o6.09
Gente estranha em leito frio
Gente fria em leito estranho
Agulha, soro lento e frio
Sopa, água e leite frio
Soro, maca eletrodo e fio
Pulso fraco, sopa rala
Sopro fraco esfria o caldo
Fôlego ralo
Por um fio
Visita
Mão quente em leito frio
Medo, morte, leito frio
Mão amiga, leito estranho
Morte amiga
Consolo
imagen tirada do blog "http://chargesprotestantes.blogspot.com/"
Renan Ramalho
09.05.09

