quinta-feira, 30 de julho de 2009

hera-de-inverno





hera-de-inverno na parede da alma


da cor da estação

verde como a esperança

no outono, rubro apaixonado

depois cai


eu só vi cajueiro

mas vi esperança

vi paixão

cai e ralei o joelho


hera-de-inverno

cresce e toma conta

não cabe mais

escorre entre os poros

já não se esconde

são ramos

são frases

são punhais


hera-de-inverno na parede

é planta que cresce com

[apetite voraz

no formato

conforme a alma


escorre nos dedos

se mostra em versos

travessos


hera-de-inverno

era inquietude

virou poesia

Natal, 30.07.09
Renan Ramalho


Um comentário:

Brunno Soares disse...

Renan escreve com um pulso firme, marcante.. como quem saborea na pele as palavras que escreve.
É sútil e provocante
sensível na medida certa.
sem rodeios e sem enfeites.
adoro isso nele.

abraços...